A reforma tributária é apontada por pequenos e médios empresários como o item de maior urgência na agenda do próximo governo. Para 56% dos participantes do levantamento que deu origem ao Índice de Confiança de Pequenos e Médios Negócios (IC-PMN) a reforma na carga tributária é prioridade para melhorar o ambiente de negócios. A redução da taxa básica de juros vem em segundo lugar, com 19%, e a qualificação da mão de obra em terceiro, com 15%. Já a redução da burocracia e dos encargos trabalhistas foram citadas por 5% dos empresários.
“Pela importância conferida à questão tributária, percebemos que a elevada carga de impostos reduz o potencial de crescimento das pequenas e médias empresas no Brasil”, afirma o professor do Insper, Danny Claro, coordenador do projeto. O Pensando Grande conversou com Omar Ferroni Branquinho, sócio da SpreadCom Telecomunicações, empresa que atua no desenvolvimento de soluções em redes sem fio. Para ele, a reforma tributária deve ser, sem dúvidas, prioridade na agenda do próximo governo. “É o item de maior impacto, principalmente para empresas de serviços que chegam a arcar com uma carga de 16,3% sobre o faturamento. Isso sem falar nos tributos ao contratar funcionários na CLT, os custos tributários, neste caso, chegam na casa dos 70%”, afirma o empresário.
O Índice de Confiança de Pequenos e Médios Negócios (IC-PMN) é elaborado pelo Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa e o Santander trimestralmente. No terceiro trimestre de 2010, o indicador alcançou 75,4 pontos, em uma escala de 0 a 100, valor próximo do alcançado na pesquisa anterior com 74,9. O objetivo do estudo é aprofundar o conhecimento das expectativas do segmento.
Para Ede Viani, diretor de pequenas e médias empresas do banco, estamos em um bom momento. “Este segmento vai se beneficiar do crescimento econômico em curso. Esperamos aumento da demanda por crédito em função da recuperação e crescimento do faturamento dos pequenos e médios empresários”, afirma o executivo.
Os maiores índices de confiança estão no crescimento de faturamento (79,4 pontos), do ramo de atividade (78,0 pontos) e dos lucros (77,0 pontos). Já o índice que aponta a confiança na economia foi o único que registrou redução, com queda de 2 pontos para 75,6. “Assim como outros indicadores de atividade econômica, o IC-PMN aponta para uma estabilização da confiança do pequeno e médio empresário, após a euforia observada anteriormente, principalmente quando isolamos o indicador sobre a economia brasileira”, afirma o professor do Insper, Danny Claro, coordenador do projeto.
“Sentimos uma retomada, principalmente depois da crise do ano passado, atribuo a confiança principalmente a este fator. A crise foi útil para mostrar que competitividade não está relacionada à redução de custos, ela pode ser conquistada com investimentos adequados”, avalia Branquinho.
O levantamento do IC-PMN foi feito a partir das respostas de 1.200 empresários das cinco regiões do país e de três ramos de atividade (comércio, serviços e indústria). Fazem parte da amostra empresas que faturam até R$ 30 milhões/ano.





