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Listando Artigos de 06/2010

O tema fluxo de caixa muitas vezes é um tabu entre os pequenos e médios empresários. Mas esse é um fator fundamental para que uma empresa mantenha seus cofres saudáveis e possa planejar de forma eficaz seus pagamentos, compras, vendas e investimentos.

Dois dos maiores equívocos contábeis são, em primeiro lugar, misturar dinheiro da pessoa física com o da empresa. “Com essa confusão, empresários quebram a personalidade jurídica da empresa. Há também um problema sério no planejamento do negócio”, alerta Liliane Seguro, professora da faculdade de Administração da Universidade Mackenzie e especialista em análise de fluxo de caixa para pequenas empresas.

O segundo grande problema é a falta de análise dos dados contábeis das pequenas empresas, há dificuldade de interpretar e análisar estas informações, extraindo material pertinente aos negócios. “Sem informação, não se faz fluxo de caixa correto. A maioria dos pequenos empresários que eu observo não sabe dizer o quanto vende e compra mensalmente”, revela Liliane. De acordo com a professora, saber fazer uma leitura estratégica é fundamental para ajudar os empresários a tomar as decisões corretas.

O ponto inicial na interpretação do fluxo de caixa é a diferenciação do valor em caixa e do resultado da empresa. Ter dinheiro em caixa não quer dizer que a empresa está dando lucro e essa confusão pode prejudicar muitos empresários. De acordo com Liliane, na maioria dos casos, é feita uma análise considerando apenas um desses dados. Entretanto, nesses casos, os resultados obtidos serão insuficientes. “ São informações complementares. Esse é um erro primordial que os empresários cometem”, alerta a especialista.

Segundo a professora, é comum que a análise do resultado da empresa seja baseada apenas com fluxo de caixa. Outro ponto importante é diferenciar despesas fixas de variáveis. Além disso, conhecer as margens de venda e de lucro é fundamental.  “No fluxo de caixa pode-se obter muitos desses dados, basta fazer uma análise profunda”, continua a professora.

Uma dica para começar a analisar o fluxo de caixa e organizar a contabilidade da sua empresa é utilizar uma planilha de dados. De acordo com a professora, a organização é a chave do sucesso nesse processo. “As planilhas são simples. Basta alimentá-las com os dados”, explica.

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Investidores anjos são grupos que aplicam capital em empresas iniciantes, conhecidas como start-ups. No Brasil existem quatro grupos desse tipo: o Floripa Angels (em Florianópolis) o Gávea Angels (no Rio de Janeiro), o  Bahia Angels (em Salvador) e o São Paulo Anjos (em São Paulo). Cada um dos grupos de investidores é focado em um segmento de negócio no qual busca investir. “Nós buscamos negócios de internet com algum potencial de internacionalização”, explica Marcelo Cazado, fundador e diretor executivo da Floripa Angels.

De acordo com Marcelo, eles buscam empresas que possam crescer sem que a estrutura física e o corpo de funcionários precise aumentar também. “Nossos servidores estão todos na nuvem, utilizamos o conceito de computação em nuvem”, exemplifica Cazado. Se você está interessado em receber capital de investidores anjos, basta enviar o plano de negócio da sua empresa para a Floripa Angels (ou qualquer uma das outras três citadas anteriormente). O processo de seleção é bastante rígido, de acordo com Marcelo, apenas 10% dos planos de negócio enviados são aprovados e passam pelo crivo inicial.

Para esses investidores a lucratividade do negócio não é fator determinante no momento da escolha de investir. “Queremos empreendedores com capacidade de execução e negócios inovadores com potencial de crescimento e lucro”, conta o investidor. Os investimentos variam entre R$30 mil a R$1 milhão são realizados em diversas etapas. Os investidores recebem participação societária em ações preferenciais da empresa.

No caso da Floripa Angels, as empresas devem estar em Florianópolis. “Nós investimos capital financeiro e intelectual nesses negócios. Portanto esse contato inicial é muito importante”, explica Cazado. Um exemplo de empresa que recebeu capital de investidores anjos da Floripa Angels é a Bookess, uma editora e uma biblioteca online, em que o usuário pode criar seu próprio livro ou distribuí-lo em nível mundial. “A empresa não existia quando recebemos o seu plano de negócio, mas acreditamos no potencial de execução do dono da ideia”, relembra Cazado. A Bookes é uma empresa com potencial de expansão para outros países, basta traduzir o site. “São empresas assim que estamos procurando, que tenham forte potencial de expansão para outros países”, finaliza.

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Durante o Seminário Internacional de Empreendedorismo o Blog Pensando Grande conversou com o professor Stephen Spinelli, um dos mais reconhecidos especialistas no tema do mundo. Confira a entrevista exclusiva a seguir.

Atualmente fala-se muito em exportação como premissa para inovação nas pequenas e médias empresas, gostaria que você comentasse esse panorama.

Minha primeira reação para a sua questão é dizer: eu não penso em pequenas e médias empresas, mas sim em termos de empresas que querem crescer e empresas que não têm essa meta. Os novos empreendedores precisam ter esse espírito e querer crescer, aí sim eles podem ser inovadores e expandirem seus negócios para outros mercados.

Como as pequenas e médias empresas podem atrair investimento estrangeiro?

Essa é uma questão que envolve transparência, um assunto sério no Brasil. Aqui não há uma cultura de compartilhar as informações e resultados da sua empresa. Um investidor capitalista quer saber exatamente o que está acontecendo no negócio, como seu capital está sendo empregado. Essa é uma questão nos Estados Unidos e outros países também. Os empreendedores precisam entender o que um modelo de transparência dentro das empresas significa e quando isso acontecer e for implementado, a confiança no Brasil aumentará imensamente. É preciso criar uma cultura de transparência financeira e criar modelos que se encaixem nessa premissa.

Como você enxerga o cenário de empreendedorismo no Brasil, ele é tão promissor para novos empreendedores como se tem falado?

As empresas já estabilizadas estão se sentindo mais seguras para investir no Brasil, mais do que os investidores. Para aumentar o número de investimentos no Brasil é preciso, como eu disse antes, que as empresas tenham uma política de transparência, mas acho que o Brasil está em um bom caminho. Aqui há uma cultura de consumo muito forte, o mercado aqui é muito forte, setor de serviços, por exemplo, está crescendo muito. Agora os empresários estão profissionalizando serviços e isso atrai investimentos. O importante é pensar grande!

Você acha que aqui nós temos uma cultura de não valorizar nossos próprios produtos? Essa mentalidade atrapalha o crescimento das PMEs e do mercado como um todo?

É importante ter uma cultura de valorizar e agregar valor aos serviços oferecidos. Resolvemos essa questão quando o empresário pensa seu negócio não como uma forma de criar empregos apenas, mas também como uma forma de agregar valor. É preciso ter consciência de que com isso ele faz parte de um um complexo ecossistema. Aqui no Brasil há todos os ingredientes para que o empreendedorismo exploda e prospere. Mas quais são as barreiras que ainda impedem que isso aconteça? Falta maturidade do sistema e também falta os empresários entenderem como podem se colocar nesse ecossistema e todos os seus componentes. Ele não precisa, por exemplo, ser necessariamente hightech. Um bom exemplo de mentalidade empreendedora e valor agregado a uma marca é a Starbucks. É uma casa de café! E tem em qualquer lugar do mundo. Qual a diferença entre o dono da Starbucks e o dono de um café de bairro?  É uma questão de pensar como empreendedor e ter a noção que se pode expandir, querer atender a um mercado maior. É esse o valor que eu quero agregar com o livro que estou lançando no Brasil ao lado de Jeffry Timmons e José Dornelas: “Criação de Novos Negócios – Empreendedorismo para o século XXI”. Mostrar aos empresários que é tudo uma questão de ter visão empreendedora, entender o ecossistema e se colocar adequadamente.

Você acredita em pefil empreendedor?

Eu acredito que 90% das pessoas são empreendedoras. Acho que existem alguns gênios e alguns idiotas, o resto do mundo pode empreender. O problema é que nas escolas eles ensinam como não ser empreendedor. Eles condenam o erro. Talvez uma pessoa aprenda muito cometendo um erro. Existe comportamento empreendedor, não personalidade empreendedora. Algumas pessoas tem traços que podem favorecer esse comportamento, mas todos podem ser. Está na cabeça da pessoa, ela pode querer ser o Bill Gates ou ser o vendedor de sorvete da esquina. O ensino nas escolas está equivocado, o importante é o processo de aprendizagem, não o resultado. Thomas Edson tentou durante muito tempo descobrir uma maneira de ligar aquela lâmpada e a cada erro ele comemorava pois sabia que estava mais próximo da resposta correta, é assim que um empreendedor deve pensar!

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