Existe capital de risco para as startups brasileiras? Quais os perfis de negócios procurados? Vale a pena buscar este tipo de capital? O que atrai e que tipo de comportamento espanta o investidor? Para responder estas e outras dúvidas acompanhamos a mesa ‘Capital de risco para startups brasileiras’ na Campus Party. Formado por investidores, o painel levantou as principais questões dos empreendedores brasileiros quanto ao tão falado venture capital – o capital de risco.
Este é um tipo de investimento privado no qual o investidor compra uma participação em empresas que apresentam possibilidades de crescimento rápido. Para que o aporte seja feito, os investidores participam diretamente do negócio, isso implica em mudanças na gestão financeira, administrativa e comercial. Após um tempo que varia entre sete e dez anos, é feita a ‘saída’ do negócio, quando o investidor vende sua participação. É importante enxergar este tipo de investimento como um ‘casamento’, pois o convívio é muito próximo e longo. A rentabilidade dos investidores depende do sucesso do negócio.
Conheça os fundos investidores e seus representantes
Representante: Daniel Izzo
O que procura: negócios que tenham impacto social positivo na população de baixa renda, principalmente em áreas como saúde, educação, serviços financeiros e tecnologia. Retorno financeiro rápido. Estão sempre prospectando novos negócios. Esperam retorno sobre o investimento de 35% a 40% por ano. Esperam ficar por 7 a 8 anos nas empresas.
Valor de investimento: Depende do estágio de desenvolvimento da empresa, até R$ 1,5 milhão
Representante: Emerson Duran
O que procura: atualmente possui fundo em Minas Gerais e outro no Rio de Janeiro, mas está estruturando um fundo nacional em busca de empresas de todo o Brasil. Aguardam retorno de 70% ao ano nos negócios que excedem as expectativas.
Valor de investimento: depende do dinheiro disponível no fundo e da necessidade da empresa. Varia de R$ 400 mil a R$ 25 milhões
Representante: Yury Gitahy
O que procura: atua na fase de pré-investimento, ajuda investidores a serem viáveis para empreender e futuramente buscarem capital, se necessário. Procuram diversos tipos de negócios.
Valor de investimento: Depende da necessidade da empresa. Ajudam também com capital humano e contatos. Quando há necessidade de investimento em dinheiro o aporte varia de R$ 20 mil a R$ 80 mil
Representante: Humberto Matsuda
O que procura: negócios inovadores e com bom retorno.
Agulha no palheiro
Humberto Matsuda afirma que nos Estados Unidos 1% dos investidores que conversam com os fundos de capital de risco conseguem fechar negócio. Duran e Izzo avaliam que os números são similares no Brasil. “O empreendedor que tem garra e consegue evoluir no plano de negócios chega lá, depende muito da vontade. Mas é preciso lembrar que não é todo tipo de negócio que está apto a receber este tipo de investimento, é preciso que ele cresça muito rápido. Precisa estar em um mercado muito promissor, porque o fundo vai entrar e sair”, afirma Duran. Ele lembra que as empresa que não recebem o aporte não são ruins, apenas não estão dentro do perfil necessário.
Izzo, da Vox Capital, afirma que avaliaram mais de 200 empresas em 2010 para investirem em duas. Já na Aceleradora a realidade é diferente. “Trabalhamos com número de 30 avaliações para cinco projetos selecionados, estes negócios são acompanhados e auxiliados por seis meses”, explica Gitahy. Duran pondera que em um mercado mais maduro, como nos Estados Unidos, há uma grande variedade de fundos, o que torna mais fácil capitar. Com o amadurecimento do mercado brasileiro, mais opções serão criadas, o que tornará a vida do empreendedor menos penosa.
Smart Money – quando dinheiro não basta
O conceito de smart money é que o investidor traga para o negócio inteligência e ajuda na gestão. “Além do dinheiro, o investidor é alguém que não está no calor da rotina, leva ao negócio governança, processos, um conselho com pessoas que auxiliam o empreendedor. Muitas vezes o maior ganho está nesta ajuda e não no dinheiro”, avalia Duran. Para ele, este é o papel do profissional que trabalha em fundos de venture capital. “Acredito muito neste conceito, foi o que me fez sair da carreira de executivo em grandes empresas e vir trabalhar com pequenos e médios negócios”, destaca.
Gitahy concorda com Duran, mas diz que ainda é preciso mudar a mentalidade dos empreendedores. “Este trabalho de aconselhamento é um dos maiores problemas que enfrentamos na Aceleradora, o empresário diz que quer, mas na hora que ele precisa de dinheiro este trabalho acaba perdendo o valor”, explica.
Saiba como garantir uma reunião com estes investidores
Os investidores garantem que há capital para investir, basta que boas ideias e negócios estruturados cheguem às suas mãos. Todos ainda acham que existem poucas startups no Brasil prontas para receber investimento. Alguns itens são unanimidades entre eles, sem eles o empreendedor não tem chance de conseguir uma reunião com um fundo de investimento:
Cada fundo tem suas características, no Vox Capital, por exemplo, a avaliação está ligada ao impacto social do negócio. “Nossa pergunta é: o negócio vai resolver um problema que existe para o consumidor de baixa renda? Depois avaliamos também se o modelo de negócio já foi testado, se clientes já compraram e se há potencial de atingir um milhão de pessoas em cinco anos”, explica Izzo. A equipe montada pelo empreendedor ou a abertura para que novos profissionais sejam agregados ao time também conta bastante.
Já na Confrapar existe uma metodologia que compara as empresas dentro de seis critérios, entre eles: equipe, modelo de negócio, mercado e saída. Para que o negócio continue no páreo é preciso que fique entre os 60% mãos bem avaliados. A seguir uma avaliação mais estruturada é feita. “O empreendedor é um dos pontos mais importantes, afinal é muito envolvimento, você será sócio dele. Conversamos para entender sua motivação, se ele vai evoluir, se tem capacidade de aprender mais. O Brasil tem muitos gargalos, infraestrutura, por exemplo, a gente resolve com dinheiro. Mas o apagão da educação ainda vai levar muito tempo”, explica Duran.
“O empreendedor tem que interagir, aproveitar as oportunidades para conhecer pessoas e conversar, absorver tudo que pode”, acredita Gitahy. A Aceleradora busca projetos com ideias novas que quebrem paradigmas do que está acontecendo no mercado.
Clique aqui para assistir na íntegra esta mesa da Campus Party.











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