
Eles foram selecionados entre centenas de projetos para apresentarem suas ideias no maior evento de tecnologia do mundo. O que estes empreendedores tem de especial? No primeiro dia de apresentação no Campuseiros Empreendem – espaço dedicado aos empreendedores na Campus Party – percebemos que inovação e perseverança são as marcas de quem está neste time tão especial.
O desafio no Campuseiros Empreendem é apresentar sua ideia em 30 segundos, após este tempo os empresários recebem orientações de mentores que os auxiliam em diversas áreas. Conversamos com empreendedores de três startups que enfrentaram diversas dificuldades e conseguiram alcançar o sonho de abrir seu próprio negócio.
Ningo – o sonho que nasceu de uma necessidade
Paulo Rogerio Vieira é um consumidor fiel de lojas online, em suas buscas por bons preços esbarrava nos buscadores de produtos existentes no mercado. Ele não estava satisfeito com a qualidade, muitas vezes o preço apresentado não correspondia ao realmente praticado pela loja, por exemplo. “Foi então que surgiu a ideia de fazer o Ningo, um sistema de compras que permite pesquisar, comparar e comprar produtos de diversas lojas. No nosso modelo de negócios não trabalhamos com custo por clique, as lojas pagam por ação – ou seja por venda efetivada. Além disso, o consumidor pode comprar diretamente no Ningo”, explica o empreendedor. Ele destaca o tamanho do mercado: 98% das compras feitas em e-commerce tem origem em sistemas de busca.
O projeto conta com o apoio financeiro da Finep – Financiadora de Estudos e Projetos, do Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio do Prime – Primeira Empresa Inovadora – o programa oferece subvenção econômica no valor de R$ 120 mil reais aos empreendimentos contemplados. “É difícil conseguir esta verba, é preciso preencher uma série de pré-requisitos. Mas o projeto sendo bom, esta dificuldade acaba”, conta Vieira. Esta é a primeira experiência empreendedora do profissional, que trabalhava na área de tecnologia e era funcionário CTL há quase 20 anos. “Qualquer projeto que você tenha, é preciso entrar de cabeça. Quando saiu a primeira parcela do Prime e fomos convidados para entrar na Cietec – incubadora na USP, entrei de cabeça”, relembra.
Hoje o Ningo já está no mercado com uma versão beta e conta com parceria com grandes lojas. “Uma das grandes vantagens do Ningo é a usabilidade, apostamos nela e em um trabalho de divulgação em lan houses, por exemplo, para levar nosso produto para as classes C e D, que desejam consumir na internet, mas ainda não sabem como”, revela Vieira.
Ippon – casamento perfeito
Imagine conquistar consumidores com descontos especiais somente quando seus serviços estão com baixa demanda – isso em alguns cliques. Esta é a proposta do Ippon, um serviço de vendas relâmpago que promete agitar o mercado de turismo e entretenimento nos próximos meses. Uma das propostas é oferecer aos turistas as ofertas por meio de um aplicativo. “Nosso objetivo é casar oferta e demanda, mas em serviços que precisam realizar descontos apenas em períodos de baixa procura, isso de maneira dinâmica e com tecnologia”, conta animada Maria Alice Maia, empreendedora da Ippon, ao lado de Lucas Cancelier, seu sócio.
Os empreendedores são estudantes de administração com experiência em mercados diferentes, Maria Alice trabalhou com turismo e entretenimento e Lucas atua na área de finanças e investimentos. Uniram forças, montaram o projeto e venceram o Prêmio Santander de Empreendedorismo. Hoje, ao contrário de muitos empreendedores, dinheiro não é um problema para eles. “Temos algumas propostas de investidores e estamos prestes a fechar a mais atraente”, explica Lucas.
Qual o segredo para atrair investidores? “Networking e a coragem de expor a sua ideia. Muitos empreendedores pensam que se falarem sobre a sua ideia alguém vai roubá-la, isso não vai acontecer, desenvolver um projeto demora muito tempo e só um empreendedor de verdade leva isso a frente”, afirma Alice. Ela destaca a importância de ouvir a opinião de outras pessoas sobre o seu projeto e incorporar novas ideias, aprimorando-o a cada dia. Conhecer pessoas, não ter vergonha de falar e se aproximar das pessoas são as dicas destes empresários inovadores.
Zuggi – buscador especialmente para os pequenos
Natália Andreoli é uma empreendedora apaixonada por sua ideia, como vemos os criadores de potencias nas redes sociais como o Twitter e Facebook. O Zuggi é um buscador desenvolvido especialmente para crianças, com filtros de segurança e layout adaptados para este público. Não é só pela paixão que Natália se assemelha a Mark Zuckerberg e Biz Stone. Assim como eles não sabiam no começo exatamente qual era o modelo de negócios de suas criações, o Zuggi ainda está desenvolvendo o seu. Mas isto não impediu Natalia de criar sua empresa, conseguir financiamento e conquistar seu primeiro cliente.
Com o apoio financeiro do Prime, o Zuggi começou a ser desenvolvido. “A verba que conseguimos foi suficiente para o primeiro ano da empresa. O processo para conseguir é trabalhoso, mas se você fizer tudo direitinho é possível”, destaca. Ao lado de uma equipe de cinco pessoas, entre desenvolvedores, pedagogas e jornalistas, a empreendedora busca inspiração no mercado externo para aprimorar seu produto.
A rentabilidade atual do Zuggi vem de um produto especial disponibilizado para escolas. Nele alunos e professores fazem parte de uma rede social e podem armazenar e organizar informações coletadas na rede além de conteúdos produzidos pelas crianças. Por ser uma rede fechada, há a segurança de que apenas crianças e professores autorizados a utilizarão. “O próximo passo é desenvolver produtos baseados em nossa marca, como nosso mascote”, conta Natália.
