Conheça a história inspiradora de Amália, uma executiva que resolveu mudar sua vida, abandonou a presidência de grandes corporações e abriu seu próprio negócio.
O segmento de beleza registrou nos últimos 14 anos crescimento de 10% ao ano. Em 2009 o crescimento em relação ao ano anterior foi de 14,4%, totalizando uma receita de R$ 14 bilhões em vendas. Mas qual a relação existente entre esses números de bom desempenho e Amália Sina, ex- presidente da Philip Morris do Brasil, da Walita do Brasil e sênior vice-presidente da Philips para a América Latina?
Assim como 69% dos executivos-chefes da América Latina (dados de pesquisa da Korn/Ferry, consultoria multinacional de recursos humanos), essa alta executiva não estava satisfeita com o seu emprego e resolveu jogar tudo para o ar e abrir sua própria empresa, no gordo setor de cosméticos. “Eu apenas mudei para um setor mais perfumado”, comenta ela.
A frustração e angústia que esses presidentes sentem podem estar diretamente relacionadas ao fato de não estarem caminhando rumo a sua autorealização. Esse foi também o caso de Amália: “O ser humano não se satisfaz só de dinheiro, quer reconhecimento. Não dá para ter tudo. É um paradoxo qualidade de vida e poder, dinheiro etc.. é impossível. Eu paguei um custo emocional altíssimo“, conta.
“Notei que quando saia das empresas, elas estavam muito melhores. Também aprendi que elas são iguais, funcionam da mesma forma: tem o produto e o cliente… Aí decidi que não queria mais ter chefe e que poder e liberdade não andam juntos”, essas observações foram o primeiro passo que resultou na inauguração da Sina Cosméticos.
A pesquisa da Korn/Ferry colocou em números uma realidade que se torna cada vez mais comum entre esses executivos: após anos de vida gastos com dedicação quase que exclusiva à profissão, percebem que no topo de uma empresa não há nada além do topo. “Aos 20 anos eu tracei uma meta para minha vida: seria presidente antes dos 50 anos. Alcancei essa meta antes dos 40. A questão é que quando se chega lá muito rápido, vem um grande vazio. E foi isso que eu senti”, relembra Amália.
E NASCE A SINA
“Começar uma empresa do nada é assustador, mas também é fantástico”, desabafa a empresária. Sem dúvida nenhuma o Knowhow de Amália como administradora foi fundamental para que ela pudesse gerir sua marca própria. “Aqui eu tenho características minhas que naquele ambiente eram defeitos, e vice-versa. Eu não posso deitar em berço esplêndido porque tive uma careira fantástica como executiva”.
Entretanto, as diferenças entre comandar uma empresa com 22 funcionários e uma com filial em mais de 22 países são gritantes. “Eu estava acostumada a dirigir uma Ferrari, qualquer problema eu chamava um time de advogados e em 2 minutos eles resolviam. Hoje em dia eu dirijo um New Beatle. É novo, é 0 bala, funciona direitinho, mas é um fusca”, palavras de Amália para comparar as suas experiências.
Para Amália, abrir uma franquia nunca foi uma opção a ser cogitada. “Franquia é um Xerox você não cria nada, você continua sendo subordinado. Eu não quis isso pra mim. Eu queria fazer tudo”. Como ela mesma diz, cuida de tudo em sua empresa, de cabo a rabo. A empreendedora criou desde as fragrâncias de seus produtos, até o rótulo e a embalagem que iria usar.
Motivada por esse sentimento, e também por outras razões, como a vontade de deixar um legado para seu filho e a possibilidade de ter liberdade total para gerir sua empresa impulsionaram Amália para, em 2006, dar uma guinada em sua vida: decidiu se lançar como empresária, com a entrada da Sina Cosméticos no bilionário segmento da beleza. “Ninguém gosta de ter chefe, eu também não. Então decidi criar meu próprio ambiente e comecei a pesquisar os mercados”. A empresária conta que bateu o martelo ao se deparar com a informação de que a indústria de cosméticos crescia 12,5% ao ano, há 24 anos. Nas palavras de Amália: “Autoestima nunca sai de moda”.
A Sina Cosméticos foi inaugurada em 2006. Na época foram lançados 15 produtos, e a fábrica fazia 25kg de cada linha. Em 6 meses a empresa já apresentava um crescimento surpreendente: Amália estava fabricando uma tonelada de cada produto por mês. Ela continua: “Se eu dirigir com a força e a velocidade que eu dirijo a Ferrari, eu bato. Mas se eu fosse na velocidade que os pequenos empresários vão, eu não estaria do tamanho que eu estou hoje”.
O resultado dessa mudança toda foi que Amália ganhou em qualidade de vida e está mais feliz:
“Quero fazer minha empresa crescer e ser inspiração para outras pessoas. Quando você é empresário você pensa mais nos outros. Dá para viver bem se você quiser. Como empreendedora eu produzo mais e tenho liberdade. Nesses últimos 4 anos eu nunca me arrependi de ter feito essa escolha”.
As expectativas da empresária para 2010 são animadoras. Pretendem ampliar sua linha de produtos. A Sina Cosméticos começa 2010 com uma nova marca no mercado, a Bio Emotion: “Meu objetivo hoje em dia é gerar empregos. Acredito que alguém tem que construir as Naturas do futuro, as grandes empresas em que as pessoas irão trabalhar, e é assim que estou trilhando os passos da Sina”, finaliza ela.