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Artigos com a tag "transparência"

Por Domingos Ricca

A prática dos princípios de transparência, equidade e responsabilidade pelos resultados perante os fundadores, sócios e herdeiros ajudam a evitar conseqüências desagradáveis geradas por muitos conflitos típicos de empresas familiares ao longo do tempo. Estima-se que cerca de 85% das empresas enfrentam problemas dessa natureza atualmente.

A falta dos valores de governança corporativa é o fator que mais potencializa os conflitos e, muitas vezes, põe em risco a própria sobrevivência de muitas empresas de natureza familiar, justamente pela falta de transparência e unidade de entendimento do negócio junto aos familiares que estão fora da administração da empresa. Outras vezes é o tratamento distinto entre os familiares com direitos iguais, ou ainda, a falta de responsabilidade pelos resultados daqueles que estão na administração da empresa frente aos que não estão, que provocam tantos conflitos, chegando muitas vezes a comprometer a sua continuidade do negócio.

Uma das maiores importâncias da governança corporativa é que ela perpetua a marca da empresa e a sobrevivência dela, mantendo assim, o sonho do fundador. A adoção de governança corporativa possibilita muitas vantagens, como, por exemplo:

• redução de riscos do processo de sucessão
• controle e geração dos negócios familiares através de um Conselho de Administração assegurando aos fundadores o direito de se afastar, paulatinamente, das operações, sem comprometer a performance e a continuidade da empresa
• treinamento para os sucessores através de suas participações no Conselho, proporcionando mais chances de estabilidade da empresa e dos negócios, não dependendo eminentemente da pessoa do fundador para isso

Além disso, proporciona aos principais acionistas ou sócios, condições de atuação e participação na gestão das empresas e dos negócios, não estando necessariamente envolvidos nas operações, conduzidas por equipes profissionais.

A governança corporativa melhora a qualidade da gestão através da contribuição de conselheiros da família e externos qualificados e reconhecidos no meio empresarial. Certos agentes de mercado –como bancos, fornecedores, parceiros de grande porte, multinacionais, governo– não vêem com bons olhos a empresa familiar quando ela atinge certo estágio de estagnação e convive com os conflitos familiares já mencionados. E somente a prática de uma boa governança corporativa pode melhorar a imagem junto a esses agentes.

Domingos Ricca é Sócio -Diretor da DS Consultoria Empresarial e Educacional e da Revista Empresa Familiar. Consultor especializado em empresas familiares. Certificado em Governança Corporativa pela SQS Suíça e Fundação Vanzolini, realizada em Buenos Aires Argentina. PhD em administração, professor de graduação e pós-graduação, autor de livros sobre os temas: empresa familiar e marketing de varejo. E-mail: ricca@empresafamiliar.com.br.

Domingos Ricca é leitor do Blog Pensando Grande e contribuiu com este artigo. Se você também tem uma história para contar ou quer dar sua opinião, entre em contato com o Pensando Grande, a ‘Voz do Empreendedor’ é um espaço para nossos leitores. As opiniões expressas no artigo são de responsabilidade do autor.

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Durante o Seminário Internacional de Empreendedorismo o Blog Pensando Grande conversou com o professor Stephen Spinelli, um dos mais reconhecidos especialistas no tema do mundo. Confira a entrevista exclusiva a seguir.

Atualmente fala-se muito em exportação como premissa para inovação nas pequenas e médias empresas, gostaria que você comentasse esse panorama.

Minha primeira reação para a sua questão é dizer: eu não penso em pequenas e médias empresas, mas sim em termos de empresas que querem crescer e empresas que não têm essa meta. Os novos empreendedores precisam ter esse espírito e querer crescer, aí sim eles podem ser inovadores e expandirem seus negócios para outros mercados.

Como as pequenas e médias empresas podem atrair investimento estrangeiro?

Essa é uma questão que envolve transparência, um assunto sério no Brasil. Aqui não há uma cultura de compartilhar as informações e resultados da sua empresa. Um investidor capitalista quer saber exatamente o que está acontecendo no negócio, como seu capital está sendo empregado. Essa é uma questão nos Estados Unidos e outros países também. Os empreendedores precisam entender o que um modelo de transparência dentro das empresas significa e quando isso acontecer e for implementado, a confiança no Brasil aumentará imensamente. É preciso criar uma cultura de transparência financeira e criar modelos que se encaixem nessa premissa.

Como você enxerga o cenário de empreendedorismo no Brasil, ele é tão promissor para novos empreendedores como se tem falado?

As empresas já estabilizadas estão se sentindo mais seguras para investir no Brasil, mais do que os investidores. Para aumentar o número de investimentos no Brasil é preciso, como eu disse antes, que as empresas tenham uma política de transparência, mas acho que o Brasil está em um bom caminho. Aqui há uma cultura de consumo muito forte, o mercado aqui é muito forte, setor de serviços, por exemplo, está crescendo muito. Agora os empresários estão profissionalizando serviços e isso atrai investimentos. O importante é pensar grande!

Você acha que aqui nós temos uma cultura de não valorizar nossos próprios produtos? Essa mentalidade atrapalha o crescimento das PMEs e do mercado como um todo?

É importante ter uma cultura de valorizar e agregar valor aos serviços oferecidos. Resolvemos essa questão quando o empresário pensa seu negócio não como uma forma de criar empregos apenas, mas também como uma forma de agregar valor. É preciso ter consciência de que com isso ele faz parte de um um complexo ecossistema. Aqui no Brasil há todos os ingredientes para que o empreendedorismo exploda e prospere. Mas quais são as barreiras que ainda impedem que isso aconteça? Falta maturidade do sistema e também falta os empresários entenderem como podem se colocar nesse ecossistema e todos os seus componentes. Ele não precisa, por exemplo, ser necessariamente hightech. Um bom exemplo de mentalidade empreendedora e valor agregado a uma marca é a Starbucks. É uma casa de café! E tem em qualquer lugar do mundo. Qual a diferença entre o dono da Starbucks e o dono de um café de bairro?  É uma questão de pensar como empreendedor e ter a noção que se pode expandir, querer atender a um mercado maior. É esse o valor que eu quero agregar com o livro que estou lançando no Brasil ao lado de Jeffry Timmons e José Dornelas: “Criação de Novos Negócios – Empreendedorismo para o século XXI”. Mostrar aos empresários que é tudo uma questão de ter visão empreendedora, entender o ecossistema e se colocar adequadamente.

Você acredita em pefil empreendedor?

Eu acredito que 90% das pessoas são empreendedoras. Acho que existem alguns gênios e alguns idiotas, o resto do mundo pode empreender. O problema é que nas escolas eles ensinam como não ser empreendedor. Eles condenam o erro. Talvez uma pessoa aprenda muito cometendo um erro. Existe comportamento empreendedor, não personalidade empreendedora. Algumas pessoas tem traços que podem favorecer esse comportamento, mas todos podem ser. Está na cabeça da pessoa, ela pode querer ser o Bill Gates ou ser o vendedor de sorvete da esquina. O ensino nas escolas está equivocado, o importante é o processo de aprendizagem, não o resultado. Thomas Edson tentou durante muito tempo descobrir uma maneira de ligar aquela lâmpada e a cada erro ele comemorava pois sabia que estava mais próximo da resposta correta, é assim que um empreendedor deve pensar!

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