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Artigos com a tag "venture capital"

Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), existem mais de 13 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de extrema pobreza, ou seja, sem o mínimo de alimentos com as calorias necessárias para suprir adequadamente uma pessoa com base nas recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde). Se considerarmos a linha da pobreza, em que a renda domiciliar per capita equivale ao dobro da linha de extrema pobreza, o número sobe para mais de 39 milhões de pessoas.

Mas o que fazer para mudar esta realidade? Daniel Izzo, sócio da Vox Capital, decidiu que poderia agir para modificar este cenário. Isso aconteceu quando ele trabalhava em uma multinacional, ainda na empresa ele conseguiu começar um projeto para pessoas de classes mais baixas. “Mas eu sentia que podia e queria fazer mais”, conta Izzo, hoje sócio da Vox Capital, uma gestora de fundos de venture capital. Daniel é o terceiro entrevistado da Série Especial Raio X do Investidor.

Conheça como funciona a Vox Capital e quem é Daniel Izzo.

Raio X do Investidor

Daniel Izzo, sócio da Vox Capital

LinkedInhttp://br.linkedin.com/in/danielizzo

Contato: Rua Francisco Iasi, 178 – Pinheiros – São Paulo

Site: http://www.voxcapital.com.br/

E-mail: vox@voxcapital.com.br

Telefone: (11) 3034-4555

Como você saiu do mundo corporativo para fundar a Vox Capital?

Eu vivi uma crise de valores quando estava trabalhando na Johnson & Johnson, passei a acreditar que os negócios deveriam ter um objetivo maior do que simplesmente dar lucro e retorno para quem já tinha bastante dinheiro.  A partir desta crise eu conheci algumas pessoas que trabalhavam com a questão social e também investi como anjo em uma empresa social chamada Tekoha, uma rede que comercializa brindes sustentáveis feitos por comunidades de todo o Brasil. Investi sem saber se teria retorno para apoiar o empreendedor e sua ideia. Em uma reunião ouvi suas dificuldades, ele queria causar impacto social, mas não era uma ONG, e sim uma empresa. E como toda empresa ele precisava de uma boa equipe, mas ele não tinha dinheiro, marca e tamanho para trazer essas pessoas para seu negócio. Nesse momento eu pensei: se ele tem esses desafios, todos os outros empreendedores que querem criar um negócio com impacto social irão passar pelo mesmo caminho. Havia a oportunidade e necessidade de criação de um fundo que apoiasse esse tipo de empreendedor não só com dinheiro, mas também com ajuda estratégica e em gestão. Eu nunca tinha pensado em ser investidor, tinha até preconceito, mas quando eu vi a oportunidade e o impacto positivo que poderia causar resolvi encarar o desafio.

Como você encontrou outras pessoas que também acreditavam que um fundo voltado a negócios com impacto social?

Nessa mesma reunião conheci a Kelly Michael, fundadora da Artemisia, que também queria criar este fundo. A Kelly agregou o Antonio Moraes, que pensava em criar este tipo de fundo com sua família. Nós três criamos a Vox em janeiro de 2009. É interessante na história da Vox os três sócios terem tido a ideia de criar um fundo para apoiar negócios sociais de maneira independente e de acordo com a história de vida de cada um deles.

Qual o atual momento da Vox Capital?

Estamos estruturando um novo fundo com objetivo de 50 milhões de reais, nosso principal desafio é o de encontrar empresas e empreendedores interessantes que valham a pena investir. O dinheiro que os fundos colocam nunca é deles, é sempre de um investidor. Quando eu coloco dinheiro em uma empresa ele não é meu, estou alocando recursos de um terceiro. É preciso ser muito criterioso, principalmente porque estamos falando de capital semente, investimos em empresas recém-surgidas, com faturamento ainda muito baixo, às vezes negócios que ainda estão no papel. Mais importante do que um bom plano de negócios, é o empreendedor, ele faz muita diferença nesse estágio de desenvolvimento. Damos muito peso para o empreendedor.

E qual o perfil de empreendedor que vocês buscam?

Procuramos empreendedores com muito potencial para crescer. Preferimos um empreendedor classe A com um plano de negócios classe B a um empreendedor classe B com um plano de negócios classe A. Quando você tira o negócio do papel e o coloca na rua ele precisará de adaptação, não existe planilha pronta. Por isso precisamos de um empreendedor e uma equipe capazes de fazer as adaptações que o mundo real pedirá.

O que é um empreendedor classe A na sua visão?

Procuramos empreendedores com alguma experiência no setor que ele irá empreender ou que tenha alguém em sua equipe com essa expertise. Além disse é fundamental que tenha vontade de mudar o mundo, ou seja, querer resolver algum problema da base da pirâmide social brasileira. Uma boa formação acadêmica e abertura para compartilhar decisões são essenciais. O fundo vai colocar dinheiro, abrir redes, ajudar o empreendedor a estruturar processos, vamos agregar valor ao negócio. Temos uma postura de sócio, de alinhar interesses, ‘o seu sucesso é o meu sucesso’ no capital de risco. Mas é importante ressaltar que nem todo negócio precisa de um investidor externo.

Quais os investimentos já feitos pela Vox Capital?

Hoje temos dois investimentos feitos e duas empresas já aprovadas. Nosso primeiro investimento foi estratégico, pois ele nos ajuda a avaliar os demais, é a consultoria Plano CDE, uma empresa de pesquisa de mercado, consultoria e treinamento sobre base da pirâmide. Em um ano e meio eles já são lucrativos e cresceram 200% só no primeiro ano. Este foi o investimento feito em 2009. Já em 2010, nós olhamos de 150 a 200 empresas e selecionamos três delas. Decidimos por investir no CDI Lan, negócio dedicado a distribuir produtos e serviços em lan houses, que ainda respondem por 50% do acesso a web no país. Hoje já vendemos microcrédito, crédito consignado e e-learning. O CDI Lan também ajuda os donos de lan house, que são pessoas de classes C ou D, manterem seus empreendimentos saudáveis.

A Vox tem capital para investir mais? Vocês procuram novas empresas?

Nós temos capital e procuramos novas empresas para investir. Nosso objetivo nesse primeiro semestre é investir em três empresas. Podemos investir em duas já aprovadas ou em novas. Estamos olhando alguns setores em especial: saúde, educação, serviços financeiros, habitação e tecnologia aplicada a esses segmentos. Sempre com foco nos consumidores de baixa renda.

Como vocês selecionam as empresas?

Nós chegamos até a maioria das empresas por meio de nossos parceiros: Artemisia, Endevor, outros fundos de investimento como a Performa Investimentos, Aceleradora e também em eventos. Estamos sempre prospectando, uma conversa sempre pode gerar uma ideia. Em alguns casos recebemos planos de negocio, mas não é a maioria. Os empreendedores interessados em enviar seu plano de negócio podem mandar para o e-mail: vox@voxcapital.com.br. Temos preferência para investimento em São Paulo, mas estamos abertos para ideias interessantes em outros lugares.

(No site da Vox Capital você encontra dicas do que eles desejam ver em seu plano de negócios, clique em contato para conferir)

Vocês sentem dificuldade de encontrar bons projetos?

É difícil, mas eu diria que é uma dificuldade comum. Os dados da indústria americana de venture capital também apontam 100 empresas avaliadas para um investimento.

Como é a relação do fundo com o empreendedor na gestão?

Ainda existe uma percepção errônea do papel do investidor, se coloca muito peso, como se ele tivesse um poder muito grande. Na realidade, o empreendedor precisa tanto do investidor quanto o investidor do empreendedor. É uma relação de parceria, para ser saudável as duas partes devem colocar constantemente valor na sociedade. Não existe no capital semente uma relação saudável se o investidor só coloca dinheiro e fica cobrando resultado.

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Iniciamos na semana passada uma série especial para que você, empreendedor, conheça os principais investidores de venture capital do Brasil. No post de hoje você acompanha nossa conversa com Humberto Matsuda, sócio da Performa Investimentos.

Com formação em Direito, Matsuda começou sua carreira em grandes escritórios atendendo a companhias multinacionais principalmente em projetos de fusões e aquisições. Em 2002 abriu seu próprio escritório, onde atendia empresas de grande porte, mas neste período percebeu que havia oportunidade de mercado junto aos investidores anjo, aqui tem início o contato de Matsuda com mercado de investimento. Acompanhe a entrevista exclusiva do investidor ao Pensando Grande.

Conheça como funciona a Performa Investimentos e quem é Humberto Matsuda.

Raio X do Investidor

Humberto Matsuda, sócio da Performa Investimentos

LinkedInhttp://www.linkedin.com/in/hmatsuda

Contato: Av. Paulista, 2001 8° andar sala 809 São Paulo – (SP) ou www.performainvestimentos.com

E-mail: faleconosco@performainvestimentos.com

Telefone: (11) 3263-0577

Quando começa a sua trajetória no mercado de investimento?

Sou advogado, quando montei meu escritório em 2002, atendia grandes clientes mas percebi que conseguia agregar e ganhar mais dinheiro com os investidores anjo, eles precisavam dos meus serviços quando investiam nas startups. Comecei a adquirir uma experiência muito grande na estruturação de novas empresas de base tecnológica e inovadoras.

Qual o perfil dos investidores anjo brasileiros?

Hoje temos dois grupos:

Um deles é formado por pessoas que possuem um patrimônio e têm uma experiência empreendedora. Estes investidores aportam recursos como sua atividade principal, ou seja, vivem da atividade de investimento como anjo.

Temos também um segundo grupo que estão entrando nesse mercado agora, ainda aprendendo a investir e que não necessariamente tiveram uma experiência empreendedora prévia.

E quando você começou a integrar a equipe da Performa?

Em 2007 eu passei a ser sócio da Performa, eu já conhecia o com Eduardo Grytz, que fundou a empresa em 2005. Ele tem uma vasta experiência em grandes e pequenos investimentos. Conhecemo-nos na Faculdade de Direito.

A Performa Investimentos é 100% especializada em Private Equity – gestão financeira, sob a responsabilidade do Eduardo e Venture Capital – gestão operacional, com o meu comando. Em 2008 a empresa começou a estruturar dois fundos, um abaixo de cada área, o de Private Equity é especializado em óleo e gás e o Venture Capital é focado em inovação e tem como investidores Finep, BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, Governo do estado de São Paulo, por meio da Nossa Caixa Desenvolvimento e investidores anjo.

Quantos investidores anjo foram este grupo?

A base de investidores é de cerca de 50 pessoas. Promovemos relacionamento com esse grupo para que eles tenham acesso a mais oportunidades, para que se especializem e ao mesmo tempo para criar uma massa crítica de projetos para a Performa.

Uma fonte importante de projetos que temos chega por meio de investidores anjo, que nos ajudam não só a tomar decisões com a experiência deles, mas também muitas vezes a fazer um primeiro aporte de capital para que a empresa se transforme em algo apetitoso pro fundo.

Quais as características do fundo que você administra hoje?

É um fundo 7 anos com investimento de R$ 26 milhões de reais focado em inovação, o fundo tem algumas características peculiares, investimos em cinco áreas específicas: biotecnologia, tecnologia da informação (mais em evidência), nanotecnologia, tecnologias limpas e sustentáveis.

Nanotecnologia é a mais difícil de encontrar bons projetos. Falta investimento para pesquisa e desenvolvimento nessa área. Além disso, colocar esse tipo de produto no mercado é complicado e leva tempo. Ele implica em uma educação muito forte, é uma atividade que requer tempo de desenvolvimento, de preparação de mercado, mas ao mesmo tempo o potencial de retorno é bastante grande. É o tipo de patente que ninguém quebra fácil.

Como a Performa encontra as empresas nas quais investe?

Nós criamos um modelo simples, mas muito difícil, pois vamos atrás de tudo que conseguimos. Temos duas maneiras: uma ponta ativa de prospecção, na qual buscamos as empresas, e uma passiva, dividida em indicações que recebemos de nossa rede de relacionamento e nos contatos diretos feitos pelas empresas.

Para selecionar as empresas em que estamos investindo avaliamos com 600 empresas, nenhuma delas estava pronta para receber investimento. Mas 58 tinham potencial. Foi quando decidimos trabalhar com estas empresas para prepará-las para receber aporte, destas, seis receberam investimento.

Destas 600 empresas, 1/3 delas chegaram a nós por indicação, 1/3 se apresentaram à Performa ativamente e 1/3 delas foram buscadas por nós. Acreditamos que a tendência hoje é que a capitação passiva cresça.

Quem são as empresas que receberam investimento?

Nos seis casos é importante ressaltar que, antes de mais nada, validamos primeiro os investidores, as pessoas envolvidas nesses negócios nos chamaram atenção. Outro ponto, eles já tinham um mix interessante de pessoas: uma pessoa técnica e outra voltada à gestão. Todos eles tinham uma ideia muito boa para ser desenvolvida, mas nenhum deles veio pronto. Avaliamos o potencial de cada um deles e tentamos preencher as lacunas. Algumas vezes quando era preciso investir dinheiro para suprir as necessidades, conversávamos com os investidores anjo que decidiam fazer o aporte necessário. Criamos uma metodologia de construção de ativos, transformando as empresas em algo interessante para investir.

É muito fácil falar eu tenho dinheiro e vou escolher onde investir, mas isso é absolutamente leviano e superficial. Por que a questão não é “eu quero colocar dinheiro para ganhar muito dinheiro de volta”, eu quero investir em lugares nos quais eu tenha condições de tentar garantir de maneira minimamente controlada como eu vou ganhar esse dinheiro de volta. Isso significa que eu não sou um bom investidor em quaisquer circunstâncias, é importante esclarecer que receber sim de um investidor não é um atestado de qualidade, é um atestado de compatibilidade com aquele fundo. Da mesma maneira o contrário, receber um não significa que a empresa não é compatível com a tese de investimento daquele investidor.

Qual a margem de retorno com a qual o fundo trabalha?

Estamos focados em evitar riscos, nossa filosofia é trabalhar o risco, não queremos que nenhuma empresa dê errado. Por isso investimos em networking e serviços, uma parceria com vários fornecedores de serviços empresariais. Contadores, auditores, advogados, agências de marketing – nós negociamos com estes fornecedores e pagamos a conta, ou seja, é um diferencial para aumentar a chance de sucesso nas empresas que investimos.

Outro diferencial é o Comitê de Experts, para analisarem de maneira profunda o negócio das empresas. Descobrimos que lá fora os fundos mais prósperos são os especializados, ou seja, que tinham profissionais que conheciam profundamente os mercados em que investiam e conseguiam analisar de maneira mais estratégica as empresas. Para termos este tipo de conhecimento aplicado na Performa, contratamos PHDs para cada uma das áreas de interesse do fundo, mas que necessariamente tenham experiência no setor privado, ele precisa compreender a lógica de mercado.

O vídeo foi gravado no Hotel Estanplaza Paulista e editado no Windows Live Movie Maker.

Qual o papel prático destes especialistas na rotina do fundo?

Estes especialistas vão nos ajudar em alguns pontos críticos: explicar qual a inovação e qual o seu grau, ajudar a desenvolver a estratégia tecnológica das empresas, pois tudo que é inovação, por definição, deixará de ser inovação, quando isso acontecer, o que está acontecendo e quais as outras tecnologias estão sendo desenvolvidas e pesquisadas que devem substituir esta tecnologia? O que eu tenho que copiar ou comprar para competir? Eles também irão auxiliar na pesquisa e desenvolvimento das empresas.

Um exemplo é o mini CD, para o investidor era genial, mesma matéria-prima, mesma capacidade de armazenamento de um CD, um padrão que a indústria já conhecia. Mas faltou um profissional deste para falar que esta tecnologia era legal, mas no MIT estavam desenvolvendo a memória flash, no Japão estavam desenvolvendo DVD e outros já falando em Blu-Ray. Quem investiu na época em mini CD acabou se dando mal porque não pensou nessa tecnologia ao longo do tempo. Era preciso investir nessa mídia pronta para competir com todos estes competidores.

E como vocês formam o portfólio de empresas que integram o fundo?

O segredo é equilibrar o portfólio do fundo para ter um comportamento de rentabilidade ótimo com risco baixo. Criamos o fundo sempre com raciocínio voltado à inovação e negócio com duas máximas: redução de risco e suporte.

Queremos evitar os erros dos fundos que não deram certo – isso tem uma implicação profunda na forma como a gente seleciona e faz os investimentos. Antes a ideia era a maximização de retorno. O pensamento de investir em 10 empresas, uma dará muito certo, uma será mediada e essas duas irão pagar pelas as oito que darão errado, isso funcionou durante um tempo nos Estados Unidos. Hoje este modelo está em cheque lá, existem estatísticas que mostram que este modelo funciona, mas funciona para 25% dos fundos norte-americanos, os outros 75% vão mal. É um modelo no qual o papel do gestor na empresa é de selecionar o ativo e não de fazer o ativo crescer.

Nos Estados Unidos, o venture capital existe há 40 anos, no Brasil há bem menos. Para existir um modelo estatístico parecido no Brasil, precisaríamos de muito mais tempo, dinheiro investido, eventos de investimentos para poder levantar todas as informações que não temos na indústria brasileira. Assim teríamos um banco de dados que funcione para uma análise detalhada. Acreditar que aqui vai ser igual por que lá foi assim é um exercício de fé, não temos dados para afirmar isso.

Partimos do seguinte principio, vemos a maioria dos lugares do mundo copiando o modelo americano, copiar um grande fundo para investir em grandes empresas é relativamente fácil, pois as grandes empresas brasileiras são muito parecidas com as americanas. Mas qud vc começa a olhar as pequenas empresas isso muda muito. Desde a cultura empreendedora, sistema tributário, trabalhista, regulação, parte societária, economia, tudo é mais bacana lá que aqui. Talvez a gente tenha uma criatividade maior, recursos naturais diferentes, mao de obra mais barata, mas tirando isso eles levam vantagem em quase todos os aspectos, inclusive no modelo de estruturação do risco de investimento. Muita gente aqui reclama que o investidor brasileiro não faz igual, mas não tem como uma empresa aqui ter o mesmo comportamento que uma lá.

Vamos falar um pouco do mercado de investimento no Brasil. Ainda existe uma certa resistência por parte de alguns empreendedores ao capital de risco, a que se deve esta aversão?

Antes da bolha tivemos um processo de movimento de investimentos com uma cultura muito mais parecida com investimentos de mercados líquidos, como em bolsa, por exemplo. A forma como foram feitos estes investimentos foi injusta para muitos empreendedores, explorando-os. É normal falar com pessoas com o pé atrás. Existiu uma época em que as em que se podia dar muito mal captando dinheiro com investidores.

Hoje a quantidade de capital disponível no mercado é razoável se compararmos à quantidade de empresas que procuram investimento?

Hoje ainda existe pouco dinheiro no Brasil em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) para investimento, isso se compararmos com qualquer outro país desenvolvido. Já em relação ao número de projetos, também não temos um volume de empresas startups como temos lá fora.

Existe ainda dinheiro na mão de investidores que não é aplicado de maneira rápida, em parte porque isso é realmente demorado, é um processo que demanda tempo. Mas eu também não vi ninguém no Brasil ter uma ideia tão diferente que pudesse ter uma capacidade de crescimento ou um perfil de investimento para um investido profissional como empresas nos Estados Unidos. Seria simplificar dizer que isso acontece pois lá fora existem mais investimento.

Qual a principal dificuldade do brasileiro?

O brasileiro é extremamente criativo, mas muito pouco inovador e as pessoas confundem criatividade com inovação. Inovação é resultado de um funil muito estreito onde lá atrás entra a criatividade. E o brasileiro não tem cultura de estudar o mercado, estruturar e proteger o negócio. Existe no Brasil a falta de uma cultura empreendedora.

No Brasil existe oferta baixa de dinheiro, por isso é muito mais difícil conseguir capital aqui que nos EUA, por exemplo.

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Existe capital de risco para as startups brasileiras? Quais os perfis de negócios procurados? Vale a pena buscar este tipo de capital? O que atrai e que tipo de comportamento espanta o investidor? Para responder estas e outras dúvidas acompanhamos a mesa ‘Capital de risco para startups brasileiras’ na Campus Party. Formado por investidores, o painel levantou as principais questões dos empreendedores brasileiros quanto ao tão falado venture capital – o capital de risco.

Este é um tipo de investimento privado no qual o investidor compra uma participação em empresas que apresentam possibilidades de crescimento rápido. Para que o aporte seja feito, os investidores participam diretamente do negócio, isso implica em mudanças na gestão financeira, administrativa e comercial. Após um tempo que varia entre sete e dez anos, é feita a ‘saída’ do negócio, quando o investidor vende sua participação. É importante enxergar este tipo de investimento como um ‘casamento’, pois o convívio é muito próximo e longo. A rentabilidade dos investidores depende do sucesso do negócio.

Conheça os fundos investidores e seus representantes

Vox Capital

Representante: Daniel Izzo

O que procura: negócios que tenham impacto social positivo na população de baixa renda, principalmente em áreas como saúde, educação, serviços financeiros e tecnologia. Retorno financeiro rápido. Estão sempre prospectando novos negócios. Esperam retorno sobre o investimento de 35% a 40% por ano. Esperam ficar por 7 a 8 anos nas empresas.

Valor de investimento: Depende do estágio de desenvolvimento da empresa, até R$ 1,5 milhão

Confrapar

Representante: Emerson Duran

O que procura: atualmente possui fundo em Minas Gerais e outro no Rio de Janeiro, mas está estruturando um fundo nacional em busca de empresas de todo o Brasil. Aguardam retorno de 70% ao ano nos negócios que excedem as expectativas.

Valor de investimento: depende do dinheiro disponível no fundo e da necessidade da empresa. Varia de R$ 400 mil a R$ 25 milhões

Aceleradora

Representante: Yury Gitahy

O que procura: atua na fase de pré-investimento, ajuda investidores a serem viáveis para empreender e futuramente buscarem capital, se necessário. Procuram diversos tipos de negócios.

Valor de investimento: Depende da necessidade da empresa. Ajudam também com capital humano e contatos. Quando há necessidade de investimento em dinheiro o aporte varia de R$ 20 mil a R$ 80 mil

Performa Investimentos

Representante: Humberto Matsuda

O que procura: negócios inovadores e com bom retorno.

Agulha no palheiro

Humberto Matsuda afirma que nos Estados Unidos 1% dos investidores que conversam com os fundos de capital de risco conseguem fechar negócio. Duran e Izzo avaliam que os números são similares no Brasil. “O empreendedor que tem garra e consegue evoluir no plano de negócios chega lá, depende muito da vontade. Mas é preciso lembrar que não é todo tipo de negócio que está apto a receber este tipo de investimento, é preciso que ele cresça muito rápido. Precisa estar em um mercado muito promissor, porque o fundo vai entrar e sair”, afirma Duran. Ele lembra que as empresa que não recebem o aporte não são ruins, apenas não estão dentro do perfil necessário.

Izzo, da Vox Capital, afirma que avaliaram mais de 200 empresas em 2010 para investirem em duas. Já na Aceleradora a realidade é diferente. “Trabalhamos com número de 30 avaliações para cinco projetos selecionados, estes negócios são acompanhados e auxiliados por seis meses”, explica Gitahy. Duran pondera que em um mercado mais maduro, como nos Estados Unidos, há uma grande variedade de fundos, o que torna mais fácil capitar. Com o amadurecimento do mercado brasileiro, mais opções serão criadas, o que tornará a vida do empreendedor menos penosa.

Smart Money – quando dinheiro não basta

O conceito de smart money é que o investidor traga para o negócio inteligência e ajuda na gestão. “Além do dinheiro, o investidor é alguém que não está no calor da rotina, leva ao negócio governança, processos, um conselho com pessoas que auxiliam o empreendedor. Muitas vezes o maior ganho está nesta ajuda e não no dinheiro”, avalia Duran. Para ele, este é o papel do profissional que trabalha em fundos de venture capital. “Acredito muito neste conceito, foi o que me fez sair da carreira de executivo em grandes empresas e vir trabalhar com pequenos e médios negócios”, destaca.

Gitahy concorda com Duran, mas diz que ainda é preciso mudar a mentalidade dos empreendedores. “Este trabalho de aconselhamento é um dos maiores problemas que enfrentamos na Aceleradora, o empresário diz que quer, mas na hora que ele precisa de dinheiro este trabalho acaba perdendo o valor”, explica.

Saiba como garantir uma reunião com estes investidores

Os investidores garantem que há capital para investir, basta que boas ideias e negócios estruturados cheguem às suas mãos. Todos ainda acham que existem poucas startups no Brasil prontas para receber investimento. Alguns itens são unanimidades entre eles, sem eles o empreendedor não tem chance de conseguir uma reunião com um fundo de investimento:

Cada fundo tem suas características, no Vox Capital, por exemplo, a avaliação está ligada ao impacto social do negócio. “Nossa pergunta é: o negócio vai resolver um problema que existe para o consumidor de baixa renda? Depois avaliamos também se o modelo de negócio já foi testado, se clientes já compraram e se há potencial de atingir um milhão de pessoas em cinco anos”, explica Izzo. A equipe montada pelo empreendedor ou a abertura para que novos profissionais sejam agregados ao time também conta bastante.

Já na Confrapar existe uma metodologia que compara as empresas dentro de seis critérios, entre eles: equipe, modelo de negócio, mercado e saída. Para que o negócio continue no páreo é preciso que fique entre os 60% mãos bem avaliados. A seguir uma avaliação mais estruturada é feita. “O empreendedor é um dos pontos mais importantes, afinal é muito envolvimento, você será sócio dele. Conversamos para entender sua motivação, se ele vai evoluir, se tem capacidade de aprender mais. O Brasil tem muitos gargalos, infraestrutura, por exemplo, a gente resolve com dinheiro. Mas o apagão da educação ainda vai levar muito tempo”, explica Duran.

“O empreendedor tem que interagir, aproveitar as oportunidades para conhecer pessoas e conversar, absorver tudo que pode”, acredita Gitahy. A Aceleradora busca projetos com ideias novas que quebrem paradigmas do que está acontecendo no mercado.

Clique aqui para assistir na íntegra esta mesa da Campus Party.

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